Tanto os gays como as lésbicas são pessoas muito afetuosas nas suas relações. O que é homossexual? É a orientação do desejo, paixões e fantasias sexuais, para a pessoa do mesmo sexo. No caso do homossexual, seu objeto de desejo é uma pessoa do mesmo sexo. Hoje já se sabe que ser gay não é uma opção (Quem escolheria ser gay e sofrer toda a discriminação que a sociedade impõe?). Assim como o heterossexual não escolhe em ser ou não ser heterossexual, o mesmo acontece com o homossexual. Já se nasce assim!
Na relação homossexual existem três padrões básicos. Os que preferem ser ativos, gostam de penetrar seu pênis no ânus dos que preferem ser penetrados, os passivos. Os versáteis são os gays que são ativos em algumas relações e passivos em outras.
Por culpa da nossa cultura machista, muitos gays supervalorizam sua condição de ativo e gostam de desqualificar os passivos. Alguns homossexuais e pessoas que desconhecem a realidade do mundo gay associam ser passivo com ser feminino, o que não é verdade.
Existem muitos gays ativos que são efeminados bem como existem muitos gays passivos masculinizados. Além do uso das genitálias para fazer sexo, há muita troca de carinho nas suas relações sexuais.
Existem vários fatores que determinam esta orientação, que independe da vontade das pessoas. Acredita-se que fatores genéticos, ambientais e culturais influenciam na fixação da orientação. A questão se encontra em aberto.
Algumas perguntas que os heterossexuais adoram fazer:
A pergunta ainda é comum entre heterossexuais desavisados encontra muito bem ecos nas crenças heteronormativas enraizadas entre homossexuais, que as vezes esperam dividir a relação entre papéis de ativo e passivo. Uma outra crença, igualmente popular, que continua cristalizada cria no entanto uma situação paradoxal: a de que todos homossexuais desejariam de fato ser sexualmente passivos.
Não é difícil imaginar que isso gera problemas quando as relações homossexuais contemporâneas começaram a explorar outras possibilidades além do binômio bofe (que não é gay, porque “é” ativo) e bichinha (que é gay, porque “é” passivo e afeminado). Ora, mesmo que na cama a dualidade de papéis permanecessem (como fato ou como possibilidade) muitos homossexuais assumiram outras identidades menos rígidas e o “casal de gays” ficou sob suspeita.
Se os dois são “bichas/veados/gays/boiolas”, qual deles faz o papel de mulher na relação?
Se o rapaz diz não praticar sexo com penetração, provavelmente deve ser um passivo inexperiente. Se o rapaz diz-se passivo, é passivo mesmo. Se diz-se versátil, transitando entre os dois papéis, é na verdade passivo. Se diz-se ativo, é passivo sob suspeita. As desconfianças encontram uma justificativa plausível por conta do preconceito de que ser passivo, tal como ser mulher ainda é considerado um demérito em nossa cultura.
O mais curioso, no entanto é que mesmo entre os ativistas gays seja comum um discurso de reprovação generalizada daqueles que manifestam sua identificação exclusiva com o papel ativo: seriam complexados, machistas, guardando ainda um grau de enrustimento que deveria ser extirpado. O crime de ser passivo, do machismo, se converte em culpa de ser ativo, em sua forma reativa, que no entanto apenas reafirma a mesma crença: acusa-se o outro de esconder um “defeito”.
Essa postura não parece comunicar a desmistificação do papel sexual passivo, nem esvaziar seu sentido de inferioridade e sim reafirma a sua posição negativa.
Acredito que exista um erro grave ao tentar transformar a intimidade da relação em lugar de posicionamento político, mesmo que reconhecidamente influenciem-se. Não há nada de revolucionário ou positivo em prescrever posições sexuais por razões ideológicas.
As relações homossexuais têm a prévia vantagem de ser um espaço com maior liberdade de negociação do papéis sexuais e de gênero. Cada relação tem a oportunidade de construir sua dinâmica menos presa aos papéis sexuais e essa prisão pode ser tanto a obrigatoriedade de imitar a relação heterossexual como ter de se opor radicalmente a ela.
A questão dos papeis é produto e herança da subjugação do feminino e a imposição da força do masculino presente em nossa sociedade machista. Vale pensar como é difícil não se encaixar em alguma categoria e nas soluções que se chega para alinhar o desejo às determinações como, por exemplo, as variações do ativo e passivo (ativo versátil, versátil, passivo versátil… e por ai vai).
Nessa discussão esquece-se que a relação sexual prescinde de penetração e que muitos casais homossexuais sequer cogitam em incluí-la em suas práticas intimas. No entanto, quando esta prática estiver presente ela deve ser exercida de forma livre, inclusive na possibilidade de papéis exclusivos e predefinidos. Assim talvez seja possível realmente subverter a lógica superior-inferior, pois mesmo numa relação onde a divisão dos papéis ativo e passivo aparece, antes de tudo existem duas pessoas exercendo livremente sua sexualidade.
Ser gay já pode causar um nó na cabeça de homem, imagine então o nó quando ele descobre que prefere ser passivo em uma relação diante da nossa sociedade machista?
O importante é ser você mesmo e feliz!
Uma boa quarta-feira a todos.






2 comentários:
Seu blog é bem informativo Du,
Imagina, eu fico passada como pessoas que lutam contra a discriminação, buscando formas de viver a vida como ela veio pra ser vivida e serem aceitos por isso, criando formas de se auto-discriminarem. Eu costumo dizer o seguinte, existem pessoas sem caráter na infância, na adolescência, adultos e idosos... Mulheres, homens e portanto homossexuais tbm. Mas acho uma pena, qnt mais exclarecidas, mais valores as pessoas deveriam ter.
Beijo enorme.
É... mas é sempre o contrário.. quanto mais esclarecidas, menor a massa cefálica!Por isso temos que lutar pela diversidade, seja ela cultural, religiosa, sexual... Beijos.
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